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  • 04 Quantos Sóis! -
  • 09 Infância -
  • 10 Ana Na Palha -
  • 13 Sinal Na Testa -
  • 14 Cesto De Roupas Sujas -
  • 15 O Pão De Casa -
  • 16 Foi Assim Que Ana Tomou De Assalto A Minha Festa -
  • 18 Quero Ser O Profeta Da Minha Própria História -
  • 19 O Tempo -
  • 20 Eu Que Não Sabia Que O Amor Requer Vigília -

Sinopse

Baseado no romance de Raduan Nassar sobre uma família libanesa no interior do Brasil, o filme é uma versão ao avesso da parábola do filho pródigo. André é um filho desgarrado, que deixou a família e saiu de casa devido às severas leis paternas e ao sufocamento da ternura e amor maternos. Pedro, seu irmão mais velho, recebeu da mãe a missão de trazê-lo de volta ao lar.

O aparecimento do irmão leva André a relembrar os momentos que viveu com a família desde a infância e os motivos que o levaram a sair de casa: a moral rígida e repressiva do pai e a relação com uma mãe de ternura excessiva. Ao contrário dos sermões do pai, André afirma a vida, o sexo e a liberdade. Há ainda uma razão mais séria: a relação incestuosa entre André e sua irmã Ana. André aceita voltar para casa com o irmão, mas irá irromper os alicerces da família.

Visão do diretor

Por Luiz Fernando Carvalho
30, jun – 2001

“As grandes paisagens têm, todas elas, um caráter visionário. A visão é o que do invisível se torna visível… a paisagem é invisível porque quanto mais conquistamos, mais nela nos perdemos”

Paul Cézanne

Minha motivação no cinema é a passagem de um estado a outro estado. A cada instante, preparar o espectador como um pintor escolhe e mistura suas cores, ou como o músico, ou como um pajé reúne suas folhas para depois extrair delas um conjunto de sensações. Só passamos de um estado a outro se este conjunto de sensações existir. Só ultrapassamos a mera construção técnica de um filme se formos capazes de gerar um sonho, com tamanha força de contaminar o escuro do cinema como uma peste. É necessário criar um estado de vidência, de transformação, de imaginação.

Mas a fabulação exige de nós um movimento: oferendar-se. Ir com a coragem de pertencer ao desconhecido, à tela ainda em branco. É preciso tornar-se, liberar a vida lá onde ela é prisioneira, ou de, pelo menos, abraçar este combate incerto em busca das visões, refazendo caminhos, entrando na nossa paisagem e na dos outros. O fruto de toda essa necessidade é a linguagem. Além de fundar a narrativa, a linguagem é também o instrumento que, com seu rigor, desorganiza um outro rigor, o das verdades pensadas como irremovíveis. Linguagem é a mesma coisa que necessidade.

No mundo de hoje, decreta-se diariamente a morte da imaginação, como se imaginar fosse o mesmo que impor uma forma de expressão à realidade. Imaginar causa medo, pois é, em si mesmo, um ato de liberdade, de transgressão, de cidadania, um ato perigoso. Ora, o cinema, como qualquer criação, está antes do lado incompleto, em via de fazer-se, em busca do momento de se colocar, frente à frente, imaginário dos criadores e imaginário dos espectadores. Portanto, filmar é imaginar ao ponto de efetuar transformações sem fórmulas, sem modelos, sem clichês – principalmente! Imaginar ao ponto de encontrar uma imagem tal que já não seja possível distinguir-se o criador da criação, o ator do personagem, o cinema da vida.

Preparação de elenco

Vídeos

Trilha Sonora

Composta durante as filmagens pelo mineiro Marco Antônio Guimarães, a trilha sonora de Lavoura Arcaica não apenas pontua o filme como é uma obra completa e independente. O ponto de partida foi a música árabe, recriada com elementos brasileiros e universais, com o uso de instrumentos como violoncelo, oboé e outros criados pelo próprio autor da trilha, que foi montada após as filmagens nos Estúdios Trama pelo diretor Luiz Fernando Carvalho e pelo músico e produtor João Marcello Bôscoli.

Créditos

Lavoura Arcaica filme de Luiz Fernando Carvalho baseado na obra de Raduan Nassar com Selton Mello, Raul Cortez, Juliana Carneiro da Cunha, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, Caio Blat, Denise Del Vecchio, Kika Kalache, Mônica Nassif e Renata Rizek Apresentando Pablo César Câncio como André menino Produtores VideoFilmes, Luiz Fernando Carvalho, Maurício Andrade Ramos, Raquel Couto e Tibet Filmes Produtora Executiva Elisa Tolomelli Produção de Elenco Raquel Couto Trilha Sonora Original  Marco Antônio Guimarães Fotografia Walter Carvalho Direção de Arte Yurika Yamasaki Caracterização Marlene Moura Figurino Beth Filipecki Direção, Roteiro e Montagem Luiz Fernando Carvalho