Teaser

Afinal, o que querem as mulheres? (2010)

Sinopse

André Newmann escreve a sua tese de doutorado, baseada na freudiana: Afinal, o Que Querem as Mulheres?. Na tentativa de compreender o universo feminino, André colhe depoimentos de mulheres nos mais diversos ambientes e conta com a ajuda de seu orientador-psicanalista, Dr. Klein, que assume a aparência do psicanalista Sigmund Freud nos delírios do escritor.

Mas ele acaba misturando sua tese e sua vida durante o processo de dedicação à pesquisa, o que acaba por afastá-lo de seu grande amor, a artista plástica Lívia. Desesperado com a perda da mulher amada, André busca refúgio no colo de sua supermãe, Celeste. Ao longo da pesquisa, ele esbarra em vários tipos femininos. De Monique, uma intelectual que foge do casamento e considera ultrapassada a leitura do feminino feita por Freud; à Simone, a eficiente recepcionista do hotel em que André passa a viver por um tempo; De Gisele, uma modelo liberal, contrária a uma relação monogâmica, mas que morre de medo de ser tratada como “todas as outras”; à Noemi, uma professora feminista cujo discurso rígido não aplaca sua sexualidade e exuberância.

André termina, enfim, a tese e lança seu livro, com enorme sucesso quando conhece Tatiana, uma jovem ninfeta russa por quem se encanta. Com a súbita fama, ele e sua tese inspiram um seriado de TV estrelado pelo ator Rodrigo Santoro, que, para compor o personagem, passa a perseguir André, como seu duplo.

Visão do diretor

Por Luiz Fernando Carvalho

Busquei uma narrativa mais leve. A novidade maior talvez venha através do texto, e não do visual. E, para isso, foi fundamental a parceria com João Paulo Cuenca e Cecilia Giannetti e Michel Melamed. Apesar da aparente leveza, há um conjunto de linguagens por trás desse trabalho que me interessa e que o torna bem indefinido. Não chamaria de comédia nem de drama.

Clichês [?]

Há uma infinidade de repetições em todos nós, homens e mulheres, que nos curvamos muitas vezes em prol de um bem comum, um mundo melhor, princípios e moral elevada, enfim, tudo isso que me parece muito rico para a dramaturgia. Por outro lado, a repetição destes comportamentos é cada vez mais tragicômica e ridícula. Se tivesse que resumir Afinal, o Que Querem as Mulheres? diria: a tragédia de um homem ridículo! Este seriado conta a travessia patética de um homem em relação aos seus objetos de desejo, ao amor, aos afetos e a uma espécie de visão do feminino que parece o devorar sempre.

Patético [?]

Não sei ser engraçado, muito menos pretendo. Não peço isso aos atores, e também não escrevemos o texto pensando em fazer graça, o resultado seria uma catástrofe. Já a melancolia me orienta, talvez tenha nos orientado no texto também e certamente já me salvou muitas vezes. Acho graça nos filmes de Chaplin, que ao mesmo tempo me levam às lágrimas, daí você tira o quanto estou dando os primeiros passos. É que ainda encontro certa dificuldade para crer que os acontecimentos e a narrativa do seriado devam se concentrar em único gênero. Fico me perguntando se um bom texto, moderno ou clássico, já traz em si várias camadas.

Comédia [?]

Não chamaria de comédia, mas este deslocamento está vinculado à minha curiosidade por novos temas e linguagens, uma certa versatilidade narrativa. Sinto que cada conteúdo requer uma linguagem. E como não sou capaz de escrever um sitcom, aí vai minha pequena tentativa. Procuramos nos aproximar da linguagem das redes sociais, das mídias modernas, do diálogo curto, do diálogo fazendo o papel dos comentários da rede, com mais acidez, mais risco, uma linguagem mais direta, sem tantas reiterações da dramaturgia televisiva. E apesar da aparente leveza, há um conjunto de linguagens por trás desse trabalho que me interessa e que, na verdade, torna o todo algo bem indefinido em termos de gênero.

Cia de ópera [?]

Primeiro veio a ideia de trabalharmos pequenas narrativas, mas para isso precisava de um elenco grande. Junte-se a isso a necessidade de continuar a trabalhar os atores como coautores do processo criativo, elaborando as cenas com boa dose de improvisação. No caso específico de Afinal, o Que Querem as Mulheres?, parti de um pressuposto: esse grupo de mulheres, que se revezam em várias cenas e em diferentes personagens, representam o desdobramento do feminino principal, Lívia, o amor primordial de André. Lancei o mesmo conceito para os personagens masculinos, que, então, representam o desdobramento do masculino, ou seja, do próprio André.

Riso final [?]

Talvez minha incapacidade confessa de traduzir o feminino [que é mesmo tão múltiplo] tenha me emprestado a coragem de criar este seriado, que não se trata de retirar uma resposta pronta da cartola, nem de definir um gênero: isto é uma comédia! isto é um melodrama! Mas de rir do patético que há em nós [este, sim, me parece um gênero novo!] e de seguir gargalhando dos meus eternos clichês cheios de fórmulas e certezas, e tudo isso em companhia dos meus novos amigos de texto, João Paulo Cuenca, Cecilia Giannetti e Michel Melamed, tão cheios de sonhos esfarrapados quanto eu.

Então o riso final seria este: fruto da constatação do vazio que se tornou qualquer modelo oficial – amoroso ou não. Esta constatação deu a André a possibilidade de não se cristalizar, reinventando seus dias com força capaz de seguir amando a Vida e o Amor. André vencerá a si mesmo e, pegando na mão de Simone de Beauvoir, poderia até nos dizer: “Querer-se livre é também querer livres os outros.”

 

Vídeos

Trilha Sonora

CD com a trilha sonora acompanha DVD

Por Luiz Fernando Carvalho

 

A trilha sonora de Afinal, o Que Querem as Mulheres? foi composta por dois maestros: Tim Rescala e Marcelo Camelo. Cada qual no seu tempo, cada qual no espaço, estúdio ou cozinha. Só nos encontramos uma vez, foi quando percebi o tamanho do risco que corria ao propor o diálogo entre criadores de origens musicais tão diversas. Naquela noite, Camelo trouxe o trombone e improvisou algumas melodias. Imediatamente Tim transcrevia para uma pauta musical. Muitas coisas presenciei neste primeiro e único encontro, entre elas, o ar de encantamento de Camelo, que olhava para o Tim como se estivesse diante de um mágico que escreve música com a velocidade de um relâmpago, e também sua imensa generosidade (seu imenso despojamento) em revelar que seu sonho era ser um maestro como o Tim.

Com o tempo, o contraste entre os dois maestros foi iluminando a montagem das cenas. As de tom mais lírico e intimista foram naturalmente abraçando as músicas do Camelo e as de tom mais satírico elegeram as do Tim.

Tanto Camelo quanto Tim produziram uma quantidade absurda de música, muito além da capacidade técnica que comporta o CD que acompanha o DVD.

Prêmios

Prêmio ABC de fotografia

Programa de TV – Adrian Teijido

DVD

Kit reúne dois DVDs com os seis episódios e um CD exclusivo com a trilha sonora da minissérie

Livros

Fortuna Crítica

13, nov — 2010

A nova fronteira de Luiz Fernando Carvalho

  • Patricia Kogut
  • O Globo

“Uma viagem onírica, um poema visual.”

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22, nov — 2010

O almanaque de Narciso

  • Patricia Kogut
  • O Globo

“Lindo, lírico e divertido.”

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29, nov — 2010

Afinal…?, terceiro episódio: narcisismo e solidão

  • Patricia Kogut
  • O Globo

“Saborosíssimo.”

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6, dez — 2010

Afinal, o que querem os homens?

  • Patricia Kogut
  • O Globo

“A série é maravilhosa.”

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13, dez — 2010

Afinal, o que querem as mulheres?: a pergunta continua

  • Patricia Kogut
  • O Globo

“Luiz Fernando Carvalho surpreendeu de novo ao conduzir com delicadeza e sensibilidade estas viagens em que se regride para avançar.”

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20, dez — 2010

Afinal, o que querem as mulheres?: a despedida

  • Patricia Kogut
  • O Globo

Afinal, o Que Querem as Mulheres? Respondeu a pelo menos uma pergunta: é possível atravessar novas fronteiras numa televisão aberta para as massas? E essa resposta é sim.”

8, nov — 2010

Freud, uma comédia e muita mulher

  • Nelito Fernandes
  • Época

“Luiz Fernando Carvalho já demonstrou ser capaz de inovar na televisão e, apesar de recursos sofisticados de roteiro, cenografia e montagem, agradar o público.”

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26, dez — 2011

Minissérie que arejou a televisão brasileira, Afinal, o que querem as mulheres? ganha versão em DVD

  • Angela Faria
  • O Estado de Minas

“Vale a pena dar um tempo na zona de conforto estético oferecida pela TV convencional. Viaje (mesmo) por belas imagens conduzidas pela mão firme de Luiz Fernando.”

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12, nov — 2010

Afinal, o que queremos da televisão?

  • Mauricio Stycer
  • UOL

“Tenho a impressão, ao contrário, que Carvalho ajuda a mostrar ao público que é possível olhar para a TV de outras maneiras que as consagradas pelo senso comum.”

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Imprensa

Principais notícias

13, out — 2010

Uma comédia filosófica

  • O Estado de S.Paulo
  • Patricia Vilalba

Luiz Fernando Carvalho: “Afinal, o Que Querem as Mulheres? Conta a travessia patética de um homem em relação aos seus objetos de desejo, ao amor, aos afetos e a uma espécie de visão do feminino que parece o devorar sempre.”

8, jul — 2010

Versões do Diretor

  • Rodrigo Fonseca
  • O Globo

Luiz Fernando Carvalho: “Estou sempre indo e voltando ao mesmo ponto, à literatura, porque ela está sempre me ensinando. Para mim, o maior cineasta de todos os tempos foi o Dostoiévski.”

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7, nov — 2010

Série constrói delírio visual sobre psicanálise

  • Bia Abramo
  • Folha de S.Paulo

“A exuberância visual e o cruzamento frenético de referências narrativas são, na verdade, coluna vertebral de suas histórias.”

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7, nov — 2010

Freud explica

  • Patricia Vilalba
  • O Estado de S.Paulo

“O processo de ensaios para filmar com Luiz Fernando Carvalho é um dos diferenciais do diretor, que o pôs em posição de sonho de consumo de qualquer ator comprometido com seu ofício.”

 

 

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12, jul — 2010

Retrato do Artista

  • Daniel Schenker
  • Jornal do Brasil

“Ciclo de projeções e debates disseca a obra televisiva e cinematográfica do diretor Luiz Fernando Carvalho.”

3, nov — 2010

Imagens míticas para retratar o feminino

  • Suzana Velasco
  • O Globo

“A abertura da série terá a cada quinta-feira uma animação feita a partir das telas do alemão Olaf Hajek, com sua profusão de cores, flores, animais e rostos.”

6, nov — 2010

O que elas querem?

  • Melina Dalboni
  • O Globo

Maria Fernanda Cândido: “O que querem as mulheres, além de amor e poder? Liberdade de escolha?”

11, nov — 2010

Copacabana no divã de Luiz Fernando Carvalho

  • Rodrigo Fonseca
  • O Globo

Luiz fernando Carvalho: “A presença de três escritores no roteiro traz uma proposta nova de dramaturgia, com naturalidade poética e respeito ao silêncio.”

21, nov — 2010

A arte de vestir memórias

  • Patricia Vilalba
  • O Estado de S.Paulo

“Luiz Fernando Carvalho já disse mais de uma vez que o figurino não deve ser um adereço, mas uma segunda pele para o ator, montada sobre as várias camadas que podem compor um personagem.”

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12, set — 2010

Clichês em série

  • Audrey Furlaneto
  • Folha de S.Paulo

Afinal o Que Querem as Mulheres? deve mostrar um criador diante de um clichê. Luiz Fernando Carvalho se apropria da matéria-prima das novelas e pretende moldá-la numa linguagem eletrizante e improvisada como um jazz.”

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11, nov — 2010

Santoro e seu outro

  • Patricia Vilalba
  • O Estado de S.Paulo

Rodrigo Santoro: “Tenho uma parceria com o Luiz Fernando Carvalho desde Hoje é Dia de Maria.

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7, dez — 2010

Rebelde com causas

  • Luiz Felipe Reis
  • O Globo

“Michel Melamed se diz mudado. Enche a boca para dizer o quanto o trabalho com Luiz Fernando Carvalho na série alargou seu coração.”

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31, out — 2010

Não termina quando acaba

  • Luiz Fernando Carvalho
  • O Globo

“Meu trabalho nunca chega ao final, eu já deveria saber. Eu o levarei sempre incompleto (assim como eu) dentro de mim.”

7, nov — 2010

Com o frescor da juventude

  • Natalia Castro
  • O Globo

Bruna Linzmeyer: “Luiz é uma pessoa supersensível. Com um olhar, ele já sabe o que você está pensando. E só de olhar para ele, você também sabe o que ele quer.”

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7, nov — 2010

Decifre-a

  • Patricia Vilalba
  • O Estado de S.Paulo

Paola Oliveira: “Tudo isso que falam sobre o processo de preparação do Luiz Fernando é verdade, é realmente diferente.”

3, out — 2010

Uma pergunta sem resposta

  • Clarissa Frajdenrajch
  • O Globo

“Chegar a uma brilhante conclusão sobre o assunto também não é missão do diretor Luiz Fernando Carvalho. Mas partiu dele a ideia original de usar o tema como ponto de partida

11, nov — 2010

Afinal, o Que Querem as Mulheres? estreia nesta quinta

  • Marcio Maia
  • Terra

“Michel também empresta sua voz na interpretação de Nome à Pessoa , música da abertura de Afinal, O Que Querem as Mulheres?”

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Estudos acadêmicos

Afinal, o que querem as mulheres?: uma experiência transmídia

  • Graziela Soares Bianchi Adriana Pierre Coca
  • Unesp
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Afinal, o que Querem as Mulheres?: Luiz Fernando Carvalho’s Metafictional Critique of Brazilian Television Fiction

  • Eli Lee Carter
  • Journal of Latin American Cultural Studies
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Créditos

Afinal, o Que Querem as Mulheres? Com Michel Melamed, Paola Oliveira, Vera Fisher, Leticia Spiller, Maria Fernanda Cândido, Dan Stulbach, Osmar Prado, Rodrigo Santoro, Eliane Giardini, Leticia Sabatella, Lavinia Vlasak, Tamara Taxman, Alessandra Colassanti, Alexandre Schumacher, Ana Kariny Gurgel, Antônio Karnewale, Bruna Spinola, Daniel Gaggini, Elizabeth Perfoll, Fernanda Félix, Giselle Ingrid, Letícia Isnard, Luciana Pacheco, Millene Ramalho, Rodrigo Pandolfo, Selma Lopes, Shirley Cruz, Suzana Kruger e Tatiana Monteiro.  Apresentando Bruna Linzmeyer Participação Especial Carlos Manga, Tarcisio Meira, Serginho Groisman, Affonso Romano de Santanna, Anna Cristina Campagnolli, Arnaldo Marques, Cássio Pandolfi, Cecília Lage, Cláudia Paiva, Cleiton Echeveste, David Hermann, Derio Chagas, Edi Raffa, Eduardo Machado, Elaine Albano, Evandro Melo, Flavio Pardal, Graziela Alves, Ignacio Aldunate, Isabel Pinheiro, Jaqueline Sperandio, Johnson Teixeira, Jose Carlos Sanches, Leandro Castilho, Luis Washington, Maira Jung, Marcelo Trindade, Marcio Fonseca, Marcos Acher, Marina Colasanti, Mario Hermeto, Prazeres Barbosa, Xando Graça. Criação Luiz Fernando Carvalho. Roteiro João Paulo Cuenca. Co-roteiristas Cecilia Giannetti e Michel Melamed. Texto Final Luiz Fernando Carvalho. Figurino Beth Filipecki. Cenografia João Irênio, Isabela Urman e Claudiney Marino. Produção de Arte Lara Tausz. Direção de fotografia Adrian Teijido. Música Tim Rescala e Marcelo Camelo. Edição Márcio Hashimoto. Gerência de Produção Erika da Matta. Produção de Elenco Nelson Fonseca. Grupo de Dança Karla Klemente, Nathalia Lima Verde, Livia Costa, Alcione Ramos Porto e Karla Tenorio. Preparação vocal Agnes Moço. Caracterização Rubens Libório. Ilustração (Material Gráfico) Olaf Hajek. Animação Cesar Coelho, Luciano do Amaral, Aída de Queiroz e Julia Cunha. Vozes da Animação Osmar Prado, Othon Bastos, Roberto Bonfim e Evandro Melo. Câmera Murilo Azevedo. Continuidade Lucia Fernanda. Assistente de Direção Guilherme Maia. Direção Geral Luiz Fernando Carvalho.