Sinopse

Inspirado num capítulo do livro Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, A Espera aborda a angústia e ansiedade do apaixonado que aguarda a chegada de sua amada. Num restaurante, a narradora registra as várias possibilidades daquela espera (a mulher atrasa, chega muito tarde, não comparece ao encontro), enquanto ela mesma, a narradora, espera ansiosamente por alguém.

André (Diogo Vilela) tem um encontro com Silvia (Malu Mader), sua amada. O cenário é um bar. Na hora certa, ele chega e se põe a esperar… As diversas possibilidades que envolvem a espera de André são apresentadas por uma narradora (Marieta Severo). Dotada de poderes mágicos, em meio aos frequentadores do bar, ela faz com que Silvia demore, chegue, atrase, chegue muito tarde, ou não compareça ao encontro. E assim, em cada um destes estágios, André será levado a sensações incontroláveis.

Preparação de elenco

O curta-metragem A Espera foi rodado em apenas oito dias no restaurante Assyrius, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sempre pela noite e madrugada adentro. O argumento foi escrito por Luiz Fernando Carvalho após a leitura do livro Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes – especialmente sobre o capítulo referente à Espera. O diretor, aos 22 anos, escreveu o argumento durante uma única madrugada. Desenvolveu o roteiro com Maurício Farias, com o qual dividiu a direção do curta.

O elenco aceitou participar do filme sem receber cachê por conta do orçamento do projeto. “Fiz esse trabalho porque ele me fascinou”, contou, na época, Marieta Severo. Luiz Fernando Carvalho, embora estreante na direção e roteiro de cinema, já tinha uma carreira em ascensão na televisão, tendo sido diretor-assistente em minisséries como Grande Sertão, Veredas, da obra de Guimarães Rosa e direção geral de Walter Avancini, e O Tempo e o Vento, do romance de Érico Verissimo e direção geral de Paulo José.

O roteiro ganhou o prêmio de fomento aos Curta-Metragens da Embrafilme. O curta-metragem de 18 minutos teve enorme repercussão. Recebeu o prêmio de Melhor Curta-Metragem, Melhor Fotografia e Melhor Atriz no Festival de Gramado; Concha d’Oro, no Festival de San Sebastián e Grande Prêmio do Júri, no Festival de Ste-Therèse, no Canadá.

A Espera ganhou exibição nos cinemas comerciais juntamente com outros três ícones de curta-metragem dos anos 80, fundando a mostra Banco Nacional de Curta Metragens, que circulou por todo o país com grande sucesso de público e crítica. Os outros curtas foram: Ma Che Bambina, de Cecílio Neto; O dia que Dorival Encarou a Guarda, de Zé Pedro Goulart e Jorge Furtado e Amor que fica, de Alain Fresnot.

Fortuna Crítica

17, jul — 1986

A nova mentalidade

  • Mauricio Stycer

“O comentário geral foi de que os curta-metragens selecionados fizeram tanto ou mais sucesso do que os longas da competição (Festival de Gramado)”

23, jul — 1986

Tamanho não é documento

  • Carlos Alberto de Mattos
  • Isto É

“Num bar também se passa A Espera, o mais longo e ambicioso dos quatro. Baseado em um dos Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, com esplêndida fotografia de Walter Carvalho lembrando O Baile, de Ettore Scola, o filme divaga sobre a angústia dos apaixonados – sentimento tão voraz que enreda até a narradora.”

27, jun — 1986

A hora do curta

  • Eduardo Tessler
  • Última cena

“Muitas vezes se fala que o curta-metragem é um projeto de quem não tem dinheiro para um longa. A Espera derrubou esta ideia, sendo um filme caro, com artistas consagrados, fotografia bem cuidada, cenografia perfeita e muita originalidade e inovação.”

Imprensa

Principais notícias

7, ago — 1986

A vez do curta-metragem

  • Edmar Pereira
  • O Estado de S.Paulo

“Nossos filmes fazem parte de uma nova concepção de curtas. Não filmamos apenas para aprender ou experimentar”, explicam Mauricio Farias e Luiz Fernando Carvalho.

14, abr — 1986

O Homem da Capa Preta, o melhor em Gramado

  • Helena Salém

“No setor de curta-metragens, os jurados assumiram uma outra postura: em vez de individualizar a premiação, preferiram partilhar o Kikito de melhor filme entre três: A Espera, dos cariocas Mauricio Farias e Luiz Fernando Carvalho, O Dia em que Dorival Encarou a Guarda, dos gaúchos José Pedro Goulart e Jorge Furtado, e Ma Che Bambina, do paulista A.S Cecilio Neto.”

3, nov — 1986

O Novíssimo Cinema Novo

  • Sônia Apolinaro
  • O Globo

“Só vale fazer cinema se for para falar das coisas nas quais você acredita. Não dá mais para enganar as pessoas”, diz Luiz Fernando.

15, abr — 1986

Marieta Severo, premiada em Gramado, pensa em mais filmes

  • Helena Salem
  • O Globo

“Fiz esse trabalho (A Espera) porque ele me fascinou. (…) Fiquei impressionada como aqueles rapazes, o Mauricio e o Luiz Fernando, começavam por um caminho tão difícil. Mas tudo foi tão bem construído dentro do filme, com uma linguagem que ao mesmo tempo transmite Barthes mas vai além do texto que o resultado foi fantástico”, conta Marieta Severo.

27, set — 1986

Curtas do Brasil, prêmio na Espanha

  • O Globo

“Um curta-metragem brasileiro, A Espera, dirigido por Maurício Farias e Luiz Fernando Carvalho, ganhou a Conha de Ouro para a categoria.”

2, ago — 1986

Invenção, o novo espaço para os curta-metragens

  • Helena Salém
  • O Globo

“É uma linguagem circular, que permite abranger em poucos minutos uma história de começo, meio e fim. Como diz Barthes, o amor é um delírio, por essência ele é circular. Barthes não apenas coloca isso – a própria linguagem dele é circular. E foi exatamente isso que gerou o nosso amor pelo cinema”, assinala Luiz Fernando Carvalho. (…) Ambos com 25 anos, Luiz Fernando e Mauricio fazem sua estreia no cinema após significativa experiência na televisão.

16, ago — 1986

Diretor de A Espera é sucesso

  • Anna Lucia Tenan
  • Terezinha dos Santos
  • Jornal da Faculdade da Cidade

“Admirador de Fellini e Hitchcock, este cinéfilo inveterado também se dedica à televisão, tendo participado, como diretor assistente de diversas minisséries na TV Globo, como O Tempo e o Vento e Grande Sertão, Veredas”

8, ago — 1986

Curta estes curtas no Oscarito

  • Caio Fernando Abreu
  • O Estado de S.Paulo

“Em A Espera, com bela cenografia e fotografia, Marieta Severo comenta o desencontro de um casal (Malu Mader e Diogo Vilela), num filme irônico, sofisticado e inteligente”

Créditos

A Espera Com Diogo Vilela, Marieta Severo, Malu Mader, Felipe Martins, Gilles Gwizdek, Karen Acioly e Marise Farias Criação e Argumento Luiz Fernando Carvalho Roteiro Luiz Fernando Carvalho e Maurício Farias  Baseado em Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes. Direção de Produção Flávio Cândido Direção de Arte Mônica Rego Monteiro. Direção de Fotografia Walter Carvalho Montagem Maurício Farias e Luiz Fernando Carvalho Som Chico Neves Direção Luiz Fernando Carvalho e Maurício Farias